Palestra da ABD – Célula Criativa

Ontem fui a uma palestra da ABD – Célula Criativa.

Mediada pelo Sr Ricardo Botelho, foram convidados para o debate os profissionais:

  • Márcio Mazza – Escritório  e www.arqbacana.com.br/
  • Fábio Ramos – Automação Nasa Som,
  • Fátima Barnabé – Deca
  • Neide Senzi – Arquiteta e especialista em projetos de iluminação
  • Márcia Kalil.  – Arquiteta e Designer de Interiores  e também faz parte do corpo administrativo da ABD.

Inicialmente eu havia entendido que ouviríamos questões sobre criação no projeto propriamente dito, mas a conversa se enredou para a execução, cobrança, honorários e cultura dos fornecedores, clientes e dos próprios profissionais sobre a segregação de especialidades que as carreiras de arquitetura e design de interiores estão sofrendo. Quase chegamos ao Ser ou não Ser, arquiteto /designer!

E sofrida foi a conversa, pois um palco de choros e reclamações sem sairmos muito do lugar no que diz respeito à evolução e providências a serem tomadas.

Eu tentei me colocar, como não foi possível, o faço através deste artigo!

Um dos pontos discutidos  foi que,  há cerca 20 anos atrás, o valor honorário médio de um arquiteto girava em torno de  7% do valor da obra e hoje não passa dos 2%, quando muito!
Vejamos, a especialização entrou e este bolo chamado  7% começou a ser dividido entre alguns projetos especializados, um resultado final com mais qualidade e satisfação garantida veio a reinar sobre os projetos que se abriram para esta opção de trabalho. Feliz o arquiteto que trabalhou menos e entregou mais e feliz o cliente com bons resultados contratados!
Em contrapartida, este arquiteto que almeja manter sua renda no valor montante de outrora está mais livre para pegar outros projetos, sabemos que sua carga de trabalho foi diminuída liberando-o para outras oportunidades! Melhorou a qualidade e aumentou a quantidade!

Há 20 anos o Brasil era outro, o percentual da população que contratava profissionais para projetar suas casas era bem menor, o número de profissionais especializados disponíveis no mercado menor ainda, naturalmente os honorários eram melhores! O Brasil hoje é menos miserável, mais especializado e mais acessível!

Sejamos justos! O arquiteto não está comendo pior do que comia há 20 anos, aposto que ele melhorou a mesa! Só está trabalhando de forma diferente! Isso é bom, chama-se Progresso!

 

Outro ponto é sobre como trazer os especialistas para o projeto de forma harmônica com o cliente.
A afirmação que “o cliente quer pagar pouco e receber tudo!” ou que “O cliente não entende!”

Eu concordo com o cliente que quer pagar menos e receber mais!
Você, enquanto cliente também é assim!
Todos pechinchamos e queremos fazer bons negócios!

Pense em  o que  você pode fazer a este respeito?
Melhorar sua abordagem na venda do seu trabalho e idéias seria algo a pensar!
Colocar na sua proposta de trabalho a oferta de contratos especializados funciona muito bem!
Saiba vender e defender suas ofertas! Tenha argumentos para isso e tudo dará certo!

Ser claro e objetivo, ser transparente e dar opções de escolha, alternativas  para o cliente são habilidades que devem ser usadas na negociação.
O cliente sabe que  vai ter que pagar pelo que escolher.
Simples assim e justo para os dois lados!

Se contratou um profissional, normalmente o cliente não tem paciência de escutar sobre o processo do desenvolvimento e das questões de uma obra! Ele quer falar sobre o que ele quer, sobre o projeto dele e quando vem uma novidade administrativa ele pode se assustar.
Cabe a nós relembrá-lo sobre o que já falamos outrora!
A maneira mais eficiente é documentar as reuniões!

O que eu tenho feito é: eu explico sim, mesmo sabendo que não vou ter a atenção que eu gostaria. Eu escrevo no contrato e é neste momento que a atenção será mais observada, e explico quantas vezes for necessário!
Para convencer um cliente que os tempos mudaram e que um projeto especializado é mais certeiro, temos que nos despir do nosso orgulho e acreditar no que estamos falando para termos bons argumentos.

Agora, se você trouxer um especialista para efetuar um desenvolvimento que você já vendeu como sendo sua a execução, pague você mesmo por ele!Afinal, você pagaria  duas vezes pelo mesmo produto?

Se não é você quem vai desenvolver, antes de vender seus serviços explique corretamente o valor agregado, o cliente  entenderá e decidirá o que quer para ele!
E este é o ponto. O poder de decisão é de quem paga e sem ser posto contra parede!

A RT é um assunto polêmico e na minha opinião deve ser esclarecido pelo designer para o cliente o quanto antes,  para que ele não se sinta traído!
Ela não é bem vista porque é aplicada de forma pouco clara e até indecente.
Geralmente é aplicada como uma oneração direta para o cliente e sem que ele saiba!
Esconder do cliente é a pior pedida!
No passado eu apenas esclarecia para o cliente e deixava-o livre para optar entre a RT e o pagamento da minha hora técnica. Hoje eu negocio com a loja e peço a RT como desconto para o cliente, ele já vai estar me pagando a hora técnica. Assim têm sido,  mais decente, claro para todos e me faz sentir em paz, justa!

Hoje temos o Arquiteto, Designer de Interiores comercial e residencial, o decorador, as especialidades, Feng Shui, Paisagista, Vitrinista, Luninoteca, Automação, Climatização e outro tando daqueles que sabem cada vez mais de cada vez menos! E este “menos” surpreende a gente quando percebemos o quanto é cada vez mais complexo! Por isso, vamos respeitar!

E quanto àqueles que têm conhecimentos forma  mais generalista, eles perderam seu lugar ou eles ainda têm seu valor?
Na minha opinião são essenciais,seja arquiteto ou designer! Ele é o grande maestro que precisa conhecer bem as características de todos os instrumentos mas não precisa tocar lindamente todos eles!

É ele quem, em uma obra faz com que os especialistas da automação e da luminoteca não se choquem. Faz com que o projeto de climatização não detone a fixação da marcenaria, decoração e vice -versa. Cada um cuida do seu de forma isolada e não com um todo. O generalista é o profissional que entende do negócio e vai fazer com que estas peças se encaixem de forma harmoniosa e eficiente! Sem contar o compasso administrativo-financeiro do processo!
Outro papel importante é o de interface entre a obra como um todo e o cliente,  é ele, o generalista quem vai absorver as decisões e questões técnicas demandadas por todos estes especialistas e fará com que atuem de forma não estressante para o cliente, é necessário que alguém, fale a língua do cliente e de todos os parceiros com sintonia em cada uma das suas particularidades.
Despreze um generalista e verá esta orquestra de competentes especialistas tocarem uma famosa obra de Bach de forma inidentificável!

Caso discorde ou queira comentar sobre as minhas colocações, terei prazer em discutir estes assuntos!

Obrigada por visitar o meu site!

Maria DI Moura

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